15 de julho de 2011

Lago dos Sonhos de Kim Edwards

Lucy Jarrett é uma jovem de espírito aventureiro que, depois da morte do pai, saiu de casa para cursar a faculdade e, desde então, não teve mais pouso certo. Bem-sucedida em sua carreira, ela vai aonde a vida a leva, sempre pulando de um país para outro, de um bom emprego para outro ainda melhor.

De repente ela se vê estagnada: morando com o namorado no Japão, Lucy não consegue arrumar trabalho e a relação deles está visivelmente abalada.

Ao saber que sua mãe sofreu um acidente sem gravidade, Lucy decide ir visitá-la em Lago dos Sonhos. Lá descobre que a mãe está pensando em vender a propriedade da família e que seu namorado da adolescência tem um filho e um próspero ateliê de fabricação de vidro.

Diante dessas mudanças, Lucy precisa enfrentar a realidade: apesar de ter ido embora e por muito tempo ter julgado aqueles que ficaram, ela é que nunca conseguiu superar o trauma causado pela morte do pai.
A descoberta de um bilhete e de outras pistas lança luz sobre uma parte da família até então desconhecida: uma antepassada sufragista que, por alguma razão, abandonou sua única filha e se envolveu com um artista famoso na época.
Intrigada com a história dessa mulher e com os motivos pelos quais sua existência nunca fora mencionada, Lucy sai em busca da verdade que até então permaneceu oculta. O que ela vai descobrir mudará para sempre a percepção que tem de sua família, da morte do pai e de sua própria vida.
Em Lago dos Sonhos, Kim Edwards, autora de O guardião de memórias, cria uma história tocante que nos faz entender que mudar não é apenas ir de um lugar a outro.

 

Lucy é uma mulher moderna e independente. Saiu de casa para fazer faculdade e não voltou mais – a não ser para rápidas visitas. Cidadã do mundo, vive viajando por diferentes países, sempre com um emprego excelente e se sentindo livre e aberta a novas experiências. Mas, na realidade, ela vive presa dentro de si mesma e, pior, ela não quer perceber isso.

Ao voltar para casa depois de um acidente de sua mãe, Lucy se vê confrontada com mudanças que não quer aceitar – e é aqui que eu a achei extremamente egoísta, pois ela se sente livre para viver sua vida, mas quer que tudo continue sem mudanças na vida de sua mãe e irmão. Andando pela casa onde cresceu, e da qual se distanciou depois da morte do pai, Lucy encontra papéis que revelavam uma parente perdida e esquecida e, através de investigações e buscas, ela reconstrói a história de sua família e sua própria história. E é aí que ela vê que nem toda mudança é negativa…

Um dos aspectos que mais gostei no livro foi a descoberta das cartas de Rose e seu elo com as Sufragistas. Gente, pensar na luta dessas mulheres por direitos tão básicos para nós hoje –e que para elas eram impensáveis – foi maravilhoso e profundo! Fora que Rose escrevia de uma forma tão poética e arrebatada que acabou me conquistando – e à Lucy – e trouxe toda uma reflexão muito interessante sobre escolhas e vida.

Outro aspecto muito interessante é a história de Rose dentro da história de Lucy. Essa sobreposição é uma forma muito criativa de narrativa e nos permite viajar por diferentes épocas e conhecer a história por diferentes ângulos.

Algo que ficou bem clara é o modo como Lucy vai percebendo o quão patriarcal é a história de sua família – o principal sempre foi a história de seu bisavô, Joseph,  e o modo como ele foi influênciado pelo cometa Haley no começo do século XX.  Então descobrir que Joseph tinha uma irmã, Rose, foi uma surpresa enorme e, também, uma forma de rever toda a dinâmica familiar que estava gravada na mente de todos. E Rose trouxe mais do que essa novidade e surpresa. Ela trouxe ensinamentos incríveis e uma reviravolta na história que marca a vida de todos os personagens e altera, em muito, a história.

Vou deixá-las com algumas palavras de Rose:

“ Foi isso que aprendi durante a vida: jamais agir movida pela raiva. Agir movida pelo amor ou não fazer nada.

Sou testemunha de como a raiva cria espaço para o mal….

                                                          …Achava que havia dois lados: o bem e o mal…

… Era assim que eu costumava pensar: algumas pessoas simplesmente eram boas e outras não, e eu, claro, era boa. Mas agora é diferente. Acho que a maldade é uma força presente no mundo. Ela encontra o caminho para penetrar em nossas vidas por meio da raiva e da perda, da tristeza e da traição, como o mofo que cobre o pão, como a podridão que consome uma maçã, tomando conta de tudo.”

1 comentários:

Lilian disse...

Oi Regina!

Sabe que quando li a sinopse desse livro não fiquei muito interessada? Mas a sua resenha deu uma 'clareada' nas coisas. Pode ser que eu dê uma chance ao livro!

Bjs