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8 de junho de 2013

Um Gato de Rua Chamado Bob de James Bowen

 

É uma tarde de outono em Covent Garden, Londres. Trabalhadores correm para o almoço, turistas brotam de todos os lados e clientes entram e saem das lojas.

No meio de tudo isso está um gato. Usando um vistoso lenço Union Jack em volta do pescoço e cercado por uma multidão de 30 espectadores de boca aberta, Bob, o gatinho cor de laranja, sorri - é, sorri - timidamente.

Próximo a ele, está seu dono, James Bowen, com seu violão surrado, cantando músicas do Oasis. Então, ele para de tocar e se abaixa para Bob - 'Vamos, Bob, cumprimente!', diz. Bob mexe os bigodes, levanta uma pata e a estende para James. A multidão assobia.

Não é todo dia que se vê um gato sentado, calmamente, no centro de Londres, aparentemente sem se abalar com o barulho das sirenes, os carros passando e todo aquele movimento - mas Bob não é um gato comum...

 

Uma leitura deliciosa e que nos traz muitos ensinamentos! Bob e James nos levam a uma jornada muito linda e pessoal e nos mostram uma realidade que desconhecemos e/ou só imaginamos: a de pessoas em situação de rua e viciadas em drogas.

James é um viciado em heroína em recuperação. Ele mora em um apartamento subsidiado pelo governo e, numa tarde encontra um gato amarelo ferido e faminto no corredor do prédio. Como sempre gostou de gatos, resolve acolher o animalzinho. Bob está ferido e com falhas no pelo. James não hesita em levá-lo ao veterinário e gastar quase todo o dinheiro que tem com os medicamentos para o gatinho.  E assim nasce uma amizade muito especial entre um homem e um gato que vão, aos poucos, se tornando os melhores companheiros e colegas de trabalho!

Achei muito interessante o fato de Bob gostar de sair com James pelas ruas de Londres e fazer companhia a ele, seja enquanto ele tocava violão e cantava, seja quando começaram a vender a revista Big Issue. Bob andava de coleira e ficava quietinho ao lado de seu dono e fazia o maior sucesso com as pessoas, conquistando a todos! James me fez pensar em quantas pessoas nós vemos nas ruas e nunca reparamos nelas ou entendemos que elas estão trabalhando – pessoas que fazem malabarismos e outros "shows" nos semáforos, por exemplo. Fiquei verdadeiramente comovida quando ele disse que Bob fez a capa de invisibilidade que o cercava cair e, a partir de então, as pessoas começaram a sorrir para ele, a conversar com ele!

Gostei muito da coragem de James de abrir sua vida para o público e pelo fato de reconhecer que Bob o tornou melhor – e tornou o mundo a seu redor melhor para com ele também. A responsabilidade de cuidar de um amiguinho fez com que James percebesse que ele também merecia ser cuidado e que ele merecia se dar uma nova chance e mudar para melhor! O apoio incondicional de Bob foi o remédio que James precisava. E James foi a salvação que Bob desejava. Uma dupla fantástica!

Mais do que trazer uma história comovente de como a amizade com um animal pode transformar toda a vida de uma pessoa, o livro me surpreendeu mostrando uma nova perspectiva para as pessoas em situação de rua e viciados, pois os projetos a que James se referiam podiam muito bem ser aplicados – com alterações, claro – nas grandes e médias cidades brasileiras. Um livro que deve ser lido por políticos e pessoas que trabalham com pessoas nessas situações de risco: sem teto, viciados, moradores de rua... Uma leitura verdadeiramente inspiradora em muitos aspectos.

7 de novembro de 2009

Eu, prisioneira das Farc de Clara Rojas

 

 

“E essas noites, uma após a outra, durante seis anos de cativeiro, pareciam-me eternas e chegaram a somar milhares de horas de medo, solidão, confusão e tristeza. É algo simplesmente indescritível. E ainda mais duro de suportar, se é que isso é possível, porque peranecíamos muito tempo em vigilia, por causa do medo dos animais, de um enfrentamento militar, da chuva ou do vento. Ou simplesmente pela angústia existencial que cada um de nós sentia.”

Esse livro conta o drama de Clara Rojas, sequestrada pelas FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) com a amiga e candita a presidente Ingrid Betancourt. É um relato em primeira pessoa, comovente, que revela o pesadelo do cativeiro na selva colombiana, local mais improvável para que Clara tivesse o momento mais especial de sua vida: o nascimento do filho Emmanuel.

Tinha visto uma reportagem sobre esse livro na revista VEJA e me interessei! Foi uma leitura reveladora – não tanto quanto eu desejava – mas que mostrou bem o drama de quem é sequestrado pelos terroristas das FARC.

Clara era uma mulher bem sucedida profissionalmente, – advogada competente, trabalhava como coordenadora da campanha de Ingrid Betancourt para a presidência da Colômbia – de 38 anos e cosmopolita. Única filha numa família de quatro irmãos, sempre foi a protegida e a mais amada.

Tudo muda quando, juntamente com Ingrid, é sequestrada pelos guerrilheiros das Farc. São seis anos de privação, sofrimento, dor, doença, desavenças, marchas inclementes e medo atroz. A única coisa boa que encontrou foi a fé e seu filho Emmanuel, nascido nesse período.

Acho que Clara conseguiu passar bem o que sofreu. Quem espera julgamentos e recriminações e panfletagem político-ideológica, pode esquecer. É um relato pessoal do que ela enfrentou, de como enfrentou e de como está lutando para recuperar o tempo que perdeu.

Sinceramente, eu esperava um pouco mais de fervor da parte de Clara para lutar contra as Farcs e a ideologia ultrapassada e sem sentido que defendem. Mas creio que ela está pensando nas pessoas que ainda se encontram em poder dos terroristas e em como ajudá-las e, como ela mesma disse: “As maldições e bênçãos na vida são duas faces da mesma moeda e cada um escolhe como vê-la. Eu tenho certeza de que, se alguém nos fez mal, em vez de amaldiçoá-lo, temos de abençoá-lo. Se pretendo seguir adiante e voltar a ter uma vida plena, preciso perdoar, de coração, todos os que me causaram tanto mal.”

 

Nascida em 1963, em Bogotá, Clara Rojas, advogada de direito comercial, foi professora universitária e era diretora da campanha de Ingrid Betancourt pelo Partido Verde Oxigênio para presidente da Colômbia em 2002, antes de ser sequestrada pelas Farc. Vive hoje com o filho Emmanuel na capital colombiana.

 

Quem quiser ver o video do reencontro entre Clara e Emmanuel – separados quando ele trinha oito meses pode ir para www.euprisioneiradasfarc.com.br