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17 de agosto de 2010

Desaparecidas de Tess Gerritsen – Desafio Literário

Tess-Gerritsen-Desaparecidas

Desafio Literario

Era uma típica noite de verão em Boston. O ar abafado apressava os moradores de volta às suas casas. Não a Dra. Maura Isles. Depois de concluir a quinta necropsia do dia, ela ainda circulava pelas salas do necrotério, o cheiro da morte grudado na roupa. Ao passar por um dos corredores gélidos, a médica ouve um barulho. A longa fileira de corpos parece ter ganhado vida. O ruído tem origem em um dos sacos de cadáveres.

A pele gelada, os dedos roxos, os lábios azulados… “Mais um corpo”, pensa a médica. Entretanto, ela não imaginava que estava prestes a tomar o grande susto de sua vida.

O cadáver abre os olhos.

Com o pulso fraco e baixos sinais vitais, a jovem desconhecida é levada imediatamente ao hospital. Mas o bizarro acontecimento logo se revela fatal. Com frieza e precisão surpreendentes, a mulher mata um segurança e faz alguns reféns. Entre eles, uma paciente grávida: a detetive Jane Rizzoli.

Quem será aquela mulher violenta e desesperada? O que ela quer? À medida que as horas de tensão se acumulam, a Dra. Maura une forças com o marido de Jane, o agente do FBI Gabriel Dean, a fim de desvendar a identidade da misteriosa assassina. Quando agentes federais subitamente aparecem em cena, Maura e Gabriel percebem que estão diante de um caso que vai muito além de uma simples crise de reféns.

É o segundo livro dessa autora que leio – e estou virando fã incondicional! Tess consegue trazer muito suspense, reviravoltas e supresas, além de uma história tocante e um grito de alerta sobre a exploração sexual de mulheres.

O resumo já traz bastante do início do livro – imagine o choque da Dra. Maura ao descobrir que uma jovem vítima de afogamento passou oito horas numa câmara fria e trancada em um saco de cadáver e ainda assim estava viva! Mas quem era essa mulher?

E é aí que Tess nos prende. Logo no Capítulo 1 (que por sinal é um daqueles em que o horror corre solto, sabe daquele tipo que você não quer ver, mas não consegue desviar os olhos?) ela nos apresenta Mila, uma jovem russa de 17 anos que está tentando o sonho americano. No orfanato em que morava, ela é aliciada para trabalhar nos EUA. Segue para o México e vai de van, com mais 06 meninas, tentar a travessia da fronteira pelo deserto. É difícil ver o modo como elas foram enganadas e já sabemos o que vem pela frente… mas a realidade, conforme Mila vai nos contando no livro, é muito pior do que possamos imaginar!

O interessante é ver como Tess vai fechando o circulo e nós vamos vendo o quadro geral, mas nada é tão óbvio e nem tão fácil de descobrir! E quanto mais a gente descobre, mais o mistério cresce e mais curiosos vamos ficando para saber como tudo vai se encaixar e fazer sentido! Amo esse tipo de livro em que o autor sempre consegue estar um passo na frente, mesmo a gente estando logo na “cola” e depois, a reviravolta e a gente fica pensando: “como não vi isso????”

Amei conhecer Jane e Gabriel. Um casal apaixonado e turrão! Não é fácil quando os dois estão sempre correndo perigo – e agora quero procurar os outros livros onde eles aparecem (vi que esse é o quinto da série Isles e Rizzoli). Maura também é um personagem fascinante. Adoro livros sobre legistas – acho que é por isso que adoro CSI (todos) – e ver como os corpos podem revelar tanto sobre os assassinos.

Para mim, foi impossível não me emocionar com essa história – principalmente de Mila. Eu que sou acostumada a ler romances sobrenatural, sobre vampiros, lobos, bruxas, anjos, às vezes me esqueço dos monstros que existem de verdade em nosso mundo. E não é fácil quando uma autora nos faz lembrar disso e nos  mostra de forma tão crua como, em pleno século XXI, ainda existem escravos – principalmente sexuais – e como é fácil nos esquecermos disso. Recomendo para quem realmente gosta de suspense e uma boa trama policial e não tenha medo de se emocionar.

29 de dezembro de 2009

O Jardim de Ossos de Tess Gerritsen

Boston 1830.

Para pagar os estudos, Norris Marshall, um estudante de medicina talentoso, mas sem recursos financeiros, integra as fileiras dos “ressurreicionistas” – saqueadores de tumbas que negociam cadáveres no mercado negro. Contudo, até mesmo o mórbido comércio parece insignificante diante do corpo mutilado de uma enfermeira encontrado no terreno do hospital universitário. Quando um médico renomado sofre o mesmo destino, Norris descobre que seu ganha-pão ilícito o transformou no principal suspeito dos crimes.

Para provar sua inocência, o estudante precisa encontrar a única testemunha que viu o assassino: Rose Connolly, uma bela costureira dos cortiços de Boston. Ao lado do sarcástico e inteligente Oliver Wendell Holmes, Norris e Rose vasculham a cidade em busca de um maníaco que aguarda a próxima oportunidade para matar.

Massachusetts, Dias Atuais.

Julia Hamill fez uma descoberta terrível em sua nova casa no interior: um crânio enterrado no jardim. Humano, feminino e, de acordo com a patologista Maura Isle, com traços inconfundíveis de um homicídio. Quem quer que tenha sido ou o que quer que tenha acontecido com aquela mulher, é algo perdido no passado.

Com suspense incansável e uma perfeita reconstituição de época, O Jardim de Ossos intercala habilmente a história de protagonistas dos séculos XIX e XXI, desvendando os mistérios obscuros por meio do tempo e do espaço. Forte, sangrento e brilhante, confirma o talento primoroso de Tess Gerritsen.

Esse é o primeiro livro dessa autora que li – e adorei! Quero agradecer a Aline pelo presente de Amigo Secreto! Obrigada, é um livro simplesmente fantástico!

Recém-divorciada, Julia Hamill tenta recomeçar sua vida comprando uma casa antiga e muito necessitada de cuidados. Escavando o jardim abandonado, ela encontra um crânio. A polícia investiga e descobre um corpo que foi enterrado muito antes de a casa ter sido construida, em 1880.

Julia, então, recebe um telefonema de Henry Page, primo da antiga proprietária da casa (Hilda) e historiador da família. Henry ficou com todos os documentos que estavam na casa de Hilda e oferece ajuda a Julia para, juntos, descobrirem mais sobre o esqueleto enterrado no jardim. E assim, vamos descobrindo mais sobre Norris, Rose e Holmes e sobre o Estripador de West End.

Tess faz uma reconstituição histórica muito boa – a gente se sente em 1830, com sua sujeira, preconceitos (contra imigrantes irlandeses e papistas), pobreza e luta pela sobrevivência. Vemos também os elegantes salões onde cavalheiros e damas das classes altas se divertem e interagem. Norris é um personagem com um pé em cada ambiente: fazendeiro pobre, vê no estudo da medicina, além de vocação natural, um modo de ascender socialmente.

Rose Connolly é uma imigrante de 17 anos que vê sua irmã sofrer as dores do parto por cinco dias. Deitada numa cama de hospital, Aurnia sofria e guardava um segredo. Rose, apesar da pouca idade, é uma sobrevivente. Uma mulher forte, íntegra e amorosa. Além de muito bela.

Começam a acontecer crimes hediondos, com as vítimas brutalmente mutiladas. Norris, que encontrou os dois primeiros corpos, passa a ser o principal suspeito. Para evitar ser preso, ele precisa da ajuda de Rose, a única que viu o assassino. Temendo por sua vida, Rose passa a se esconder e, depois de alguns dissabores, junta-se a Norris e Holmes para tentar evitar novos assassinatos e eliminar a ameaça que paira sobre eles.

Com todos os crimes, violações de sepulturas, aulas de anatomia e sofrimento e pobreza, o amor que nasce entre Rose e Norris é um sopro de ar fresco! Um amor calmo, belo, puro… Mas o suspense e mistério que cercam esses personagens e os ligam a Julia e Henry e Tom, sobrinho-neto de Henry, é de um brilhantismo maravilhoso! Tess tece uma história perfeita e o último ponto completa o quadro de forma brilhante! Recomendo.