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1 de outubro de 2013

Todo dia de David Levithan

Toda manhã, A acorda em um corpo diferente, em uma vida diferente. Não há qualquer aviso sobre quem será ou onde estará em seguida. De menina a menino, rebelde a certinho, tímido a popular, saudável a doente; A precisa se adaptar.

Já se acostumou com isso e até criou algumas regras para si. Primeira: nunca se apegar; segunda: jamais interferir. E tudo corre bem... até que A desperta no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon.

A partir desse momento, as regras pelas quais tem vivido não fazem mais sentido. Porque, finalmente, A encontrou alguém com quem quer ficar; dia após dia, todo dia. Mas como esperar que uma pessoa que sempre viveu uma vida normal possa entender a realidade de A? Ou até mesmo acreditar nela?

Enquanto lutam para se reencontrar a cada a cada 24 horas, ambos precisam enfrentar seus próprios demônios, superar suas limitações e redefinir suas prioridades. Rhiannon conseguirá ficar com alguém que muda a cada dia? E até onde A acha justo (ou ético) interferir nas vidas de quem habita? Mas, principalmente, o amor pode mesmo vencer qualquer barreira?

Every Day # 1

Esse livro é de uma criatividade enorme. Ao ler o resumo fiquei super curiosa pra ler e entender como A vive mudando de corpo em corpo e como o autor iria desenvolver tal história. E posso afirmar: ele me surpreendeu a cada página!

A acorda a cada manhã num corpo diferente. Pode ser homem ou mulher. Pode ser atleta ou drogado. Pode ser saudável ou doente. Gordo ou magro. Branco ou negro. Hétero ou gay. A cada despertar ele tem de acessar as lembranças do corpo que está habitando e viver da melhor maneira possível para não causar problemas a seu hospedeiro. Ele tenta fazer o melhor que sabe e podemos perceber que A é um cara legal e ético. Ele tenta interferir o mínimo possível na vida da pessoa que ele será nesse dia. A não ser no dia em que habita o corpo de Justin e conhece Rhiannon...  Nesse dia, A resolve ser ele mesmo e ter um dia diferente.

Rhiannon desperta em A um lado protetor que ele não sabia existir. Ele consegue ver a fragilidade e o modo como ela deseja a atenção e carinho de Justin e resolve dar isso a ela. Eles tiram a tarde para ir ver o mar e conversar e se beijar. Uma tarde mágica que mexe com A e o faz desejar mais da vida que leva do que sabe ser capaz de ter. Mas como manter um relacionamento se ele não sabe onde vai estar e quem vai ser no dia seguinte? E, mais importante, como convencer Rhiannon de que ele é A, um ser com personalidade própria,  mesmo estando em corpos diferente todos os dias?

Eu adorei o modo como David vai nos conduzindo pela história de amor entre A e Rhiannon através dos dias. Em cada pessoa que A habita há uma lição, uma vida, um corpo e uma vontade que A precisa conhecer e vivenciar. A muda muito depois de conhecer Rhiannon e começa a interferir na vida dos hospedeiros na vontade de ficar perto da amada. Mas nem sempre é possível o encontro entre eles e nem sempre é fácil para Rhiannon aceitar as mudanças, mesmo reconhecendo A a cada dia e a cada corpo.

A é um narrador maravilhoso e os insights que ele nos dá são incríveis. As questões que ele levanta são as que sempre pensamos: quem somos? Mente ou corpo ou alma? O que nos torna indivíduos? Impossível não se apaixonar por essa história de amor tão diferente  e delicada e por esses personagens tão envolventes. Impossível não se envolver nos questionamentos levantados e não deixar a mente viajar na leitura.  Um livro para ser lido e relido.

20 de julho de 2013

Will & Will–Um Nome, Um Destino de John Green e David Levithan

Em uma noite fria, numa improvável esquina de Chicago, Will Grayson encontra... Will Grayson. Os dois adolescentes dividem o mesmo nome. E, aparentemente, apenas isso os une. Mas mesmo circulando em ambientes completamente diferentes, os dois estão prestes a embarcar em um aventura de épicas proporções. O mais fabuloso musical a jamais ser apresentado nos palcos politicamente corretos do ensino médio.

 

Um livro absolutamente delicioso e com um bom humor e alto astral fantásticos! E isso mesmo se levando em conta que nenhum dos Will Grayson sejam pessoas otimistas e alegres...

Um dos Will Grayson tem um estilo de vida em que segue duas regras que criou: 1. Não se importe com nada e 2. Cale a boca! Então ele tenta viver o máximo possível na dele, sem chamar muito a atenção e esperando o final do ensino médio. Mas é meio que impossível passar despercebido quando seu melhor amigo é Tiny Cooper, um garoto de 1,98 m e 130 kg e absolutamente gay e feliz e popular! E agora Tiny resolveu que vai investir e montar seu musical – a história de Tiny Cooper – e ele decidiu que esse vai ser o melhor musical de todos os tempos!

O outro Will Grayson tem poucos amigos e é super fechado, não revelando nada de si para ninguém, nem mesmo sua mãe. Will é gay e ainda não sabe como se abrir com quem ama. Ele vive um romance virtual com Isaac, um rapaz que vive bem longe e o único com quem consegue ser ele mesmo!

Como o resumo diz, os dois se encontram – e esperar esse encontro é bem interessante, pois como já vamos conhecendo os personagens, ficamos imaginando como eles irão interagir. E, claro, qual será a reação de Tiny ao ver dois Wills Grayson...

As tiradas dos dois Wills e Tiny são maravilhosas. Me peguei rindo várias vezes. Mas o livro também traz um tom sério e mostra bem as agruras da adolescência. Há as alegrias de descobrir o amor, o valor e delícias e dificuldades da amizade, o relacionamento com os pais, e, claro, a escola e suas matérias e ligação social. Gostei do modo como os autores trataram o tema da homossexualidade sem cair no piegas ou no dramalhão ou na comicidade.

Mas na minha opinião Tiny roubou a cena dos dois Wills e acabei completamente apaixonada por ele! Ele é um grande amigo, talentoso, um tantinho egocêntrico e completamente focado em seu musical. Ele é a força propulsora do livro e é impossível ficar indiferente em sua presença.

Não conhecia nenhum dos autores (apesar de eu ter um livro do Green em minha pilha desde a Bienal) e adorei o estilo de ambos. Recomendo!