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25 de novembro de 2013

Esconda-se de Lisa Gardner

Uma mulher que foi obrigada a fugir — desde criança— de uma possível ameaça. Uma ameaça que seu pai via em todo lugar, mas que a polícia nunca considerou. Um antigo e desativado sanatório para doentes mentais que pode ter muito mais a esconder entre suas paredes do que homens e mulheres entorpecidos por remédios.


Uma história de rancor entre membros de uma mesma família que nunca conseguiram superar os episódios de violência doméstica que presenciaram.


Um pingente que foi parar em mãos erradas — e a cena de um crime brutal: seis meninas mortas e mumificadas há mais de trinta anos.


Agora, cabe à famosa detetive D.D. Warren descobrir quem foi o serial killer que cometeu esta atrocidade e que motivação infame deformou sua mente.


Acompanhe D.D. Warren na solução de mais este complexo caso e encontre o inimaginável que está por trás de pessoas aparentemente comuns!

Detetive D.D. Warren # 2

Mais uma história maravilhosa da Lisa Gardner! Os livros da D.D. estão se tornando um de meus favoritos, pois os mistérios e investigações policiais são primorosos!

Tudo começa com a descoberta de uma cova que serve de túmulo para seis corpos.  Todas são meninas e são encontradas no que se chama mumificação úmida, o que faz com que os investigadores tenham de esperar a antropologia forense estudar os corpos para poderem fazer uma linha do tempo que ajudará na solução do caso.  Vai ser um processo demorado e isso não pode atrasar nem parar a investigação, assim todos os detetives, comandados pela Sargento D.D. Warren, já começam a procurar informações que os ajudarão a resolver esse mistério.

É quando surge Annabelle, uma mulher que teve uma infância difícil e conturbada, pois seus pais estavam sempre fugindo de uma cidade a outra, trocando de nomes e identidades e roubando sua infância e suas referências. Agora, já com mais de 30 anos, e vendo que uma das vítimas encontradas na cova estava usando um pingente com seu nome, ela resolve contar sua história à D.D. e a Bobby. Claro que essa vai ser uma das pontas do mistério: porque – e de quem – os pais de Annabelle tanto fugiam? E qual a relação disso com a cova e as crianças desaparecidas?

Mas, como a cova foi encontrada no terreno de um hospital psiquiátrico abandonado, não é possível descartar os antigos pacientes e até mesmo alguns funcionários da instituição da lista de suspeitos. Dá para ver o trabalho monumental dos policiais, não? Mas Lisa Gardner vai nos conduzindo por labirintos e pistas e descobertas até o final eletrizante!

É uma delícia acompanhar a investigação e ir descobrindo as pistas e as verdades juntamente com os detetives. Somos conduzidos por vários caminhos e quando a verdade finalmente se revela é de bater palmas para a autora, pois ela consegue amarrar tudo de forma fenomenal.

Um único senão é a publicação fora de ordem pela editora, pois apesar de cada livro trazer uma história completa e fantástica, a ligação da vida dos personagens se perde um pouco. Por exemplo: em Sangue na Neve, D.D. está grávida. Então quando peguei esse livro para ler estava louca para acompanhar o desenvolvimento da gravidez dela. Mas, para minha surpresa, nesse ela ainda nem conhece o pai do filho dela... Não muda em nada a beleza da  história, mas para quem é fanática por seguir séries em ordem, como eu, deixa um pouco a desejar. (Mas se você ainda não começou a acompanhar essa série, aproveite e coloque na ordem você mesmo. E, conselho de amiga: não deixe de conhecer essa autora!)

10 de novembro de 2013

O Chamado do Anjo de Guillaume Musso

Nova York, Aeroporto JFK. Na sala de embarque lotada, um homem e uma mulher se esbarram, espalhando suas coisas pelo chão. Após uma discussão banal, cada um segue seu caminho.

Madeline e Jonathan nunca haviam se visto e jamais deveriam voltar a se encontrar. Porém, ao recolher seus pertences, trocaram por descuido os celulares. Quando percebem o engano, já estão a dez mil quilômetros um do outro - ela é florista em Paris, ele tem um restaurante em San Francisco.

Não demora muito para ambos cederem à curiosidade, explorando o conteúdo dos respectivos aparelhos. Uma dupla indiscrição, que leva a uma revelação inesperada - suas vidas estão ligadas por um segredo que eles julgavam enterrado para sempre...

 

Com esse resumo o livro já conquistou minha curiosidade. E, como acabei de ler um livro desse autor – e me apaixonei pelo estilo dele – resolvi que tinha de lê-lo.

Madeline e Jonathan não tem nada em comum e nunca haviam se visto antes do esbarrão no aeroporto. E a primeira impressão que tiveram um do outro não foi das melhores. E as primeiras mensagens que trocam após descobrirem que estão com o celular um do outro também não ajudam a melhorar essa imagem.

Jonathan é um homem divorciado, que foi à Nova York buscar o filho para passar as festas de final de ano com ele. Ele é chef em um restaurante em São Francisco, mas poderia ser um detetive tamanho empenho em descobrir os segredos escondidos no celular de Madeline! Ele vai aos poucos pesquisando e vendo que a mulher sofisticada e elegante em quem esbarrou é muito mais do que aparenta!

Enquanto isso, em Paris, Madeline, que acabou de ficar noiva, também começa a buscar mais informações sobre Jonathan e descobre que a vida dele mudou muito depois do divórcio muito público que enfrentou. E a curiosidade em saber mais sobre o homem arrogante é tão forte que ela começa a negligenciar seu negócio e seu futuro marido.

No decorrer da investigação de ambos, eles descobrem um elo em comum que nunca imaginavam possuir! E esse elo os une mais uma vez e transforma a vida de ambos em uma perigosa aventura. Não vou estragar a surpresa de vocês revelando mais informações, mas posso dizer que os últimos capítulos da história são maravilhosos e tensos demais!

Guillaume Musso mais uma vez conseguiu me levar pela mão durante a narrativa e me surpreendeu muito, pois jamais esperava que a história seguisse o caminho que seguiu. Um livro maravilhoso e com muito mistério e suspense! Recomendadíssimo!

20 de agosto de 2012

Beyond the Night de Joss Ware

Tudo que eles conheciam se foi...

Dos resíduos da devastação, cinco homens surgem com extraordinários novos poderes . Eles são a última esperança da humanidade, mas não podem sobreviver nesse mundo desolado sozinhos.

Quando o Dr. Elliott Drake saiu de uma caverna depois de viajar cinquenta anos através do tempo, o mundo como ele o conhecia se fora. Cidades são selvas, e o que restou da humanidade está subjugado por seres  imortais que se utilizam de cristais. Mas ainda mais perturbador: Elliott adquiriu uma extraordinária habilidade - o poder de curar.

Mas mesmo esse dom, em um mundo sem  a tecnologia e infraestrutura do seu passado é uma faca de dois gumes para Elliott.

Jade Kapiza, que foi prisioneira dos seres  imortais, há anos vem se escondendo. Mas agora ela está determinada a ajudar a raça humana a lutar contra o controle de seus captores. Ela não confia em ninguém... mas quando Elliott entra em sua vida, ele empurra suas defesas e começa a derrubar as paredes que ela construiu tão cuidadosamente.

Só que o misterioso doutor parece ter alguns segredos. Será que Jade pode confiar seu coração a Elliott, mesmo enquanto arriscam suas vidas para salvar um grupo de inocentes?

E pode Elliott encontrar um novo lugar para si – um lar – nesse novo e desolado mundo?

Envy Chronicles  # 1

 

Três amigos partem para um final de semana explorando cavernas em Sedona, no Arizona, acompanhados de dois guias. De repente um terremoto. Eles desmaiam. E quando acordam descobrem que o mundo que conheciam não existe mais!!! 

E o mais interessante é que somos despertadas para esse novo mundo juntamente com eles, pois a autora já começa o livro nos apresentando aos gangas – ou zumbis comedores de carne que vagam à noite e aterrorizam os sobreviventes. Estamos num mundo desolado e arcaico e destruído! Carros e prédios são agora nada mais do que sucata que a floresta vai retomando. Zumbis estão a solta durante a noite e os humanos precisam buscar proteção. Não há celulares, internet, hospitais, supermercados... nada do que estamos acostumados! Já se passaram seis meses que eles saíram da caverna, juntamente com Simon, a quem encontraram desacordado próximo à saída e já tiveram uma baixa – um dos guias morreu de tétano. Dois deles – Elliott e Quentin – manifestaram poderes que não conseguem explicar: Elliott consegue scanear (tipo tomografia ou ressonância) o corpo humano e ver se há fraturas, tumores ou quaisquer outros problemas e depois curar apenas com o toque das mãos;  Quent consegue "ver" e "sentir" o passado apenas tocando em objetos ou paredes. Fora isso, todos os cinco estão mais fortes e mais rápidos e como se "parados" no tempo, pois não precisam se barbear e nem os cabelos crescem!

Bom... no resumo diz que eles viajaram no tempo, mas o que deu para entender é que eles "acordaram" no futuro. Cinquenta anos no futuro e num mundo pós apocalíptico. Sem entender bem o que estão enfrentando, nossos heróis são orientados a procurar por Envy, a maior "cidade" da região, mas não sabem qual caminho tomar. É quando salvam um grupo de adolescentes de um ataque de gangas, juntamente com uma mulher misteriosa que aparece cavalgando do nada! Tanto o grupo, quanto a mulher são de Envy e é para lá que eles seguem pela manhã. E é onde eles conseguem algumas respostas e conseguem aumentar ainda mais as perguntas sobre o que aconteceu...

Em Envy conhecemos Lou Waxnicki, um dos sobreviventes de cinquenta anos atrás. Lou e seu irmão gêmeo Theo são nerds e entendem de computadores e estão, clandestinamente, tentando retomar uma rede para combater os Strangers. Esses Strangers são seres que surgiram depois dos terremotos, das tempestades e da praga que dizimou a maioria dos sobreviventes das catástrofes naturais.  Eles são imortais e podem ser reconhecidos por terem cristais incrustrados na pele do peito. Leo e seu grupo de resistência percebem que esses Strangers não são confiáveis, mas o resto da população ainda não se tocou desse fato. E, com a chegada e ajuda dos novos habitantes – os rapazes da caverna – Lou e seu grupo vão fazer descobertas ainda mais fantásticas!

Pode parecer que eu estou dando muitos spoilers, mas tudo que falei acima é a simples descrição do universo criado por Joss. Há muita ação e muita coisa acontece nesse livro. Achei o romance entre Elliott e Jade – a mulher que chegou cavalgando para salvar os adolescentes – um pouco morno e truncado, mas acho que a apresentação do mundo em que a série se posiciona ocupou muito do tempo do livro, deixando um espaço menor para o desenvolvimento do romance.

Ainda assim, foi muito bom ver como os dois foram se aproximando, pois Jade foi escrava de um dos Strangers por três anos, onde sofreu abusos terríveis e que deixou marcas. Hoje ela quer estar sempre em controle e ter a última palavra. E Elliott percebe isso e aceita e a compreende. Acho que isso é que vai conquistando Jade e faz com que ela aceite o modo dele e os dois se completem tanto.

Eu gostei muito do modo como Joss está conduzindo a trama e já estou lendo o segundo volume. As investigações e descobertas e a tentativa de reconstruir uma internet dão um sabor todo especial à série e faz com que a curiosidade do leitor fique sempre atiçada. Fora que os personagens são super cativantes e nos conquistam. E o mistério do que realmente aconteceu é um chamariz todo especial!

Comentando sobre o livro com um amigo, ele me disse que viu um filme assim uma vez: de amigos presos em cavernas e  que quando saem  o mundo mudou... Ele não lembra o nome do filme, mas se alguém souber, podem me avisar, por favor?

18 de fevereiro de 2012

Whispers in the Dark de Maya Banks

Ela se aproximou dele quando ele mais precisava dela...

Ela chegou até ele em seu pior momento. A voz de um anjo, um sussurro na escuridão. Ela é a única coisa que ajuda Nathan Kelly atravessar seu cativeiro, os infinitos dias de tortura e o medo de que ele nunca mais irá reencontrar sua família. Com a ajuda dela, ele consegue escapar. Mas ele não está verdadeiramente livre, porque agora ela desapareceu e ele ficou com um vazio que o consome enquanto luta para juntar os pedaços de sua vida. Será que ele imaginou seu anjo? Ou ela está lá fora, precisando da ajuda dele como ele precisou da dela uma vez?

Agora ele corre para salvá-la antes que seja tarde demais...

Shea está fugindo de pessoas que não pararão diante de nada para explorar suas habilidades únicas. Ela nunca quis arrastar Nathan para mais perigos, mas ela não tem escolha, então o busca para ajudá-la. Finalmente frente a frente, depois de já terem unido suas almas no sofrimento, a conexão emocional entre eles é ainda mais poderosa do que a telepática. Nathan se recusa a deixá-la partir novamente, mas ela teme que eles nunca poderão viver livres do perigo que a segue a cada passo. Pode ele convencê-la de que eles estão fadados a enfrentar esses perigos juntos?

KGI # 4

Numa de suas últimas missões, Nathan Kelly é feito prisioneiro, juntamente com alguns companheiros do exército. Ele, que estava para dar baixa e se juntar a seus irmãos no KGI, se vê, de repente, no pior dos pesadelos: preso, torturado, sofrendo enormemente nas mãos dos inimigos. Mas quando ele estava prestes a desistir de tudo, inclusive de sua vida, uma voz na escuridão o mantém são. Ele primeiro pensa que é um anjo, depois uma alucinação, mas a voz calma e os toques suaves e gentis e que tiram sua dor é real demais para ser imaginação...

Shea não sabe como nem porque se conectou com Nathan. Ela e sua irmã, Grace, vivem se comunicando telepaticamente, mas com pessoas de fora é esporádico. Shea não entende como sua ligação mental com Nathan é tão forte, mas sabe que ele precisa dela. Que ela é a única chance que ele tem de pedir ajuda a seus irmãos e sair livre do terrível cativeiro em que se encontra. Assim, mesmo sendo custoso para ela, fisicamente, e mesmo prejudicando sua fuga, Shea ajuda Nathan. Sim, porque Shea e Grace estão separadas uma da outra e fugindo de pessoas que as querem como cobaias e para usar os dons paranormais que possuem.

Quando Nathan e seu amigo Swanie conseguem fugir, com a ajuda de Shea e Grace, e são depois resgatados pelo KGI  e voltam à suas casas, Nate não consegue interagir com a família e busca a solidão. Mas o que ele mais sente é falta de Shea e não saber se ela é ou não real. Assim, quando ela rompe o silêncio mental e pede ajuda, Nathan reencontra o guerreiro dentro de si e parte para o resgate. E as cenas entre eles são hots, ternas, intensas e maravilhosas – tanto no cativeiro, quanto pessoalmente.

Eu achei super interessante a Maya inserir esse lado paranormal na série! Shea consegue se comunicar telepaticamente com Nathan e consegue também tirar a dor que ele sente dos ferimentos causados por seus inimigos. Adorei também que, depois que os dois se encontram no mundo real, eles continuam a se comunicar por telepatia, deixando os demais Kellys totalmente admirados e divertidos. E esse também foi um  modo de trazer um pouco de humor a um ambiente bem pesado, afinal as torturas e a perseguição a Shea e Grace são bem fortes e detalhadas. Fora que há muitas cenas de ação e de luta, como em todos os livros da série.

O livro é cheio de reviravoltas e descobertas que fazem que o virar de páginas seja frenético! Ainda bem que o li num final de semana e pude me dedicar a ele exclusivamente, pois o enredo é viciante e a história super bem contada. Agora é aguardar o próximo que trará Rio e Grace como protagonistas. Claro que a ansiedade já está lá na estratosfera...

23 de março de 2011

A Besta dos Mil Anos de Ilmar Penna Marinho Jr.

“- Vou aguardar. Pode deixar que vou descobrir tudo que anda escondendo de mim – disse o padre, como se, por trás do sorriso irônico do curador, desconfiasse de algo demoníaco que o misterioso vazio na parede quisesse ocultar.

O padre Antoine Duvert, de repente, silenciou e ficou com o semblante grave, aflito, de quem estava prestes a orar. Reconhecia como legítima e saudável a ambição do curador do castelo em recuperar pelo menos um dos setes quadros perdidos da sequência da Revelação Divina; em especial, a recuperação a qualquer preço da cena desconhecida do Diabo enjaulado por mil anos. Na verdade, temia que esse quadro desaparecido significasse que o dragão de sete cabeças estivesse solto no mundo. Onde estivesse, estaria semeando a discórdia, incentivando a aids, a pedofilia, o aborto, a clonagem humana, instigando a violência, a ganância e a corrupção. Tudo indicava que os homens teriam perdido a batalha do bem contra o mal. Essa foi a visão aterrorizante que sua mente teve, pairando sob as imensas torres circulares do Castelo de Angers.”

O leitor encontrará um clima eletrizante de suspense e ação na recuperação da famosa cena, desaparecida desde o século XIII. A trama diabólica, primorosamente estruturada, cheia de reviravoltas e muitas surpresas, envolve religiosidade, mistérios, vingança, ódio e amor, e traz de volta a figura bíblica da Besta dos mil Anos.

Os personagens convivem com a maldição templária, o dinheiro fácil, a violência nas ruas, a escalada do sexo, a proliferação das drogas e a ganância corruptora. Conclamando seus adoradores a praticarem todas as maldades no mundo porque o fim dos tempos está chegando…

Gostei muito dessa história. Um suspense muito bem escrito e que prende a atenção do começo a fim.

Aqui, os personagens são pessoas “reais”. Não existe aquela idealização tão comum aos romances de mistério. Eles não são  somente bons ou maus, mocinhos ou vilões. Todos os personagens trazem em si o bem e o mal – exatamente como todos nós – e têm o poder de escolher seus caminhos e fazer sua história.  E foi esse aspecto de seres por quem você   torce, depois sente repulsa, depois raiva, depois pena,  o que mais me atraiu no decorrer do livro.

Fiquei intrigada, também,  com a Tapeçaria do Apocalipse. Uma obra de arte medieval que retrata todo o Apocalipse de São João e que foi muito maltratada e mutilada e que, agora, o governo francês busca restaurar a antiga glória. Só que, no decorrer dos séculos, algumas cenas se perderam. Entre eles a figura do dragão de sete cabeças, que simboliza a Besta, e que foi aprisionada por mil anos. Além de ser uma perda grave para a linha de tempo da tapeçaria, há também todo o simbolismo cristão de o diabo estar solto no mundo e trazendo o mal para a humanidade. Assim, recuperar essa cena é tanto restaurar uma obra de arte quanto aprisionar o demônio que vaga pelo mundo trazendo a violência e o terror.

Acontece que essa cena vem aparecer no Brasil, mais precisamente na favela da Rocinha. E sua presença realmente traz o mal, pois os franceses de uma ONG que estavam tratando da devolução da relíquia são torturados e mortos pelos traficantes que estão atrás do dinheiro e da peça. E é aqui que entram os personagens de Leonardo, Lisa, Aurélien (amei esse nome e personagem!) e Júlia e a luta pela posse da cena. Cada um deles têm seus motivos e agendas e lutam como podem para cumprir sua missão e seu destino.

Adorei as reviravoltas na história! Não vou falar sobre cada personagem, pois é muito melhor cada leitor ir descobrindo aos poucos a personalidade e o papel que cada um vai desempenhar no decorrer da trama. E podem contar com muitas surpresas, pois Ilmar vai narrando como se estivesse tecendo e só vamos ver toda a “cena” ao chegar ao final! E é um final cheio de surpresas! Nem preciso dizer que gostei muito desse modo peculiar de narrar.

Se vocês quiserem ver a tapeçaria, os Castelos na França e algumas outras curiosidades que aparecem no livro (adoro poder ver e sentir o cenário!) podem se dirigir ao site do livro. Garanto que vai ser uma viagem bem legal! http://www.abestados1000anos.com.br/

16 de fevereiro de 2011

Good Tidings de Terri Reid

good tidings

Sexta feira Negra – a abertura oficial das Compras Natalinas -  e Patrice Marcum está no meio do supermercado com um bebê chorando, um desejo histérico de abandonar as fraldas e o leite de que precisava desesperadamente  e a tempestade de neve do século acumulando mais de 15 cm de neve no estacionamento. Ela precisa de um milagre.

A velhinha parecia um doce de pessoa, mas Patrice jamais deixaria Jeremy, com três meses de idade, aos cuidados de estranhos. Ela olhou para fora, para o estacionamento coberto de neve, e viu mais um comprador tropeçando nos montes de neve. A velha senhora percebeu seu nervosismo e se propôs a chamar um funcionário da loja para ajudá-la a cuidar de Jeremy enquanto Patrice fosse buscar o carro. O velho cavalheiro, usando um crachá da loja onde se lia “Ron”, parecia bom demais para ser verdade. Como estar mais segura?

Após menos de cinco minutos, depois de tirar a neve acumulada sobre o carro e dirigir pelo estacionamento lotado e coberto de gelo, Patrice estaciona diante da loja. Jeremy não está lá.  Afastando o pânico, ela entra rapidamente na loja e olha ao redor. Jeremy não está lá dentro também. Ela se dirige ao Atendimento ao Cliente, a funcionária chama Ron pelo alto-falante e emite um Código Adam. Quando Ron aparece e tem apenas 17 anos, Patrice percebe o pior. – Oh! Meu Deus! Roubaram meu bebê!

Mary O´Reilly, Investigadora Particular, está decorando seu escritório para as Festas de Final de Ano quando o recém instalado sininho de sua porta badala. Ela se volta e vê um menino de seis anos parado perto de sua mesa. Seu nome é Joye Marcum e ele quer contratar Mary para encontrar seu irmãozinho.

Mary acena com a cabeça. – Ok, Joey, mas vou ter que trabalhar com a polícia nesse caso. Será um problema para você?

Joey pausa. – Não. Acho que você pode falar com eles.

- Isso ajudará.

- Mas você não pode contar para minha mãe que está trabalhando para mim. – ele disse. – Promete?

- Sim, prometo.

Joey levantou os ombros. – Ela não entenderia, visto que eu estou morto, sabe.

 

Segundo livro da série Mary O`Reilly. E ainda melhor do que o primeiro! Estava louca para ver como estavam Mary e Bradley – ver se eles dariam mais um passo para um promissor relacionamento – e, claro, ver como ajudariam o pequeno Joey a resgatar Jeremy.

O livro começa praticamente como no resumo acima. Patrice está fazendo compras – e já percebemos que ela está no limite de suas forças – e o tempo muda de repente e ela se vê presa no mercado com um bebê faminto e chorando e sem possibilidade de fazer alguma coisa sozinha. Daí vem a senhora e depois o funcionário e ela acha que tirou a sorte grande por alguém se dispor a ajudá-la. O resultado: seu bebê, Jeremy, é sequestrado!

Mary está em seu escritório e recebe a visita de Stanley e Rose – já comentei sobre eles e continuo os adorando de paixão! – Logo que eles saem, Mary recebe a visita de Joey. Depois de saber do que se trata, ela chama Bradley, que já estava começando a investigar o sequestro, e eles se unem, novamente, para resolver o caso. Uma coisa que não comentei em minha resenha anterior, mas que é importante falar agora, é que quando Bradley e Mary se tocam – tipo dar as mãos, ou segurar no braço um do outro – Bradley também consegue ver e ouvir o fantasma que está conversando com Mary e até mesmo interagir com ele! E isso vem bem a calhar.

Joey é um menino adorável! E realmente ajuda muito na investigação – e me encantei com a inocência dele ao repetir o que ouvia os sequestradores conversando sem ter a noção do que estavam falando, mas dando dicas valiosas à polícia e Mary! A investigação leva Mary e Bradley à Chicago, onde conhecemos a família de Mary – pai, mãe e três irmãos – que não se cansam de interrogar Bradley (ri muito das saias justas que ele ficou…). Sean, um dos irmãos de Mary, fica encarregado da força tarefa e os ajuda muito!

Há muita tensão e suspense na história e, além do caso de Jeremy, alguns fantasmas também resolvem pedir ajuda e Mary e Bradley e Sean se envolvem também em outra investigação, essa ainda mais perigosa e mortal!

E, claro, a crescente atração entre Mary e Bradley dá o ar de romance ao livro! Bradley está começando a deixar o passado para trás, se bem que não é de todo fácil para ele! Oito anos atrás, sua esposa, grávida da filha deles, desapareceu depois de a casa onde moravam ser invadida e revirada! Desde então, até aceitar o cargo de Chefe de Polícia de Freeport, Bradley tem se dedicado incansavalemente na busca das duas  - ou pelo menos saber o que realmente aconteceu com elas…

Como dá para perceber, esse é o tipo de livro que te mantém presa às páginas, pois muita coisa acontece, e não dá para parar de ler até chegar ao final! Terri Reid já está entrando na minha lista de autoras favoritas!

 

BANNER ESTRELA

9 de fevereiro de 2011

Loose Ends de Terri Reid

Loose ends

Morrer é o que mudou a vida de Mary O`Reilly. Bem, na verdade, foi voltar dos mortos e ter a habilidade de conversar com fantasmas que o fez. Agora, como investigadora particular na rural Freeport, Illinois, Mary está tentando aprender como incorporar sua experiência como policial em Chicago ao recém descoberto talento em um emprego de verdade. Seu desafio é resolver os mistérios, conseguir evidências reais (a palavra de um fantasma não serve para o juri) e se certificar de que as pessoas da cidade, especialmente o lindo novo chefe de polícia, não a considerem louca.

Vinte e quatro anos atrás , uma jovem mulher se afogou na piscina de um recém eleito senador estadual. Foi considerado um acidente. Mas agora, quando o senador se prepara para subir em posição, o fantasma da mulher está aparecendo para a esposa dele. Mary é contratada para descobrir a verdade sobre sua morte. Ela desenterra uma conexão entre o assassinato e o desaparecimento de cinco meninas, cujos casos, depois de vinte e quatro anos, ainda permanecessem sem solução. Enquanto investiga mais a fundo, ela se torna o novo alvo de um assassino serial que busca amarrar todas as pontas soltas.

Esse livro me foi indicado no desafio Pick it for me do grupo Romance Readers Reading Challenges no goodreads e posso afirmar que foi um verdadeiro achado! A história é uma delícia e do tipo que você não consegue largar até chegar ao final! E quando chega, fica querendo mais e mais…

Mary é uma excelente policial. Formada em ciências criminais, está a caminho de se tornar detetive. Mas um tiroteio numa luta contra gangues a faz morrer. Quando volta, ela descobre ter o poder de ver e conversar com fantasmas, e percebe que sua missão é ajudá-los a resolver suas pendências para poderem descansar em paz. Como Chicago é uma grande cidade, com muitos e muitos fantasmas, ela decide se mudar para a rural Freeport, onde abre uma firma de investigação particular e vive sua vida normalmente… claro que o sentido de normalidade aqui varia muito!

Na cidade ele faz amizade com Stanley e Rose  - um casal idoso com um senso de humor de arrasar! Ele tem uma loja de artigos de escritório e papelaria, ela é dona de uma imobiliária. Os diálogos entre os três são maravilhosos. Ela  também  conhece Bradley Alden, o novo chefe de polícia,  que é um homem bonito, inteligente e disponível… Claro que Stanley e Rose ficam tentando bancar os cupidos – e é sensacional ver o modo como eles fazem de tudo para aproximar Mary e Bradley.

Mas nem tudo é humor no livro! Há muito mistério e suspense, pois Mary é contratada pela esposa de um senador que começou a ver o fantasma de uma mulher que morrera vinte e quatro anos atrás na piscina da propriedade. Ao falar com o fantasma e “rever” o modo como ela morreu, Mary percebe que a moça foi assassinada e começa a investigar.

Um dos problemas é que alguém não a quer investigando e começa a prejudicá-la fazendo acusações falsas e a levando a ser presa! Logo se percebe que tem peixe grande se escondendo e querendo abafar o caso. Outro problema é que, durante sua investigação das notícias da época do afogamento, Mary descobre o desaparecimento de uma menina de 8 anos e algo no artigo lhe chama a atenção!

Logo, Mary começa a ver o fantasma da criança no bosque e ao seguí-lo descobre que há mais quatro meninas fantasmas vagando pelo local. Durante sua perseguição ao fantasma – ela volta ao passado e revê a cena de como a pessoa morreu, mas não vê o assassino, infelizmente – ela sofre um acidente. É quando o chefe de polícia a encontra ferida e a socorre. E é quando ele também começa a perceber que ela não é a louca que ele julga ser. Que parece mesmo haver alguma verdade nas afirmações dela de que vê e fala com fantasma, apesar de seu ceticismo continuar.

Com o decorrer da investigação, Mary começa a ser persiguida por um assassino e sofre atentados e Bradley resolve se unir a ela e descobrir o que realmente está acontecendo na cidade! Afinal, quem matou as crianças e qual a ligação entre esse caso, o caso da mulher afogada e a perseguição que Mary vem sofrendo? Pode um assassino estar agindo durante todo esse tempo e ninguém perceber?

Terri consegue nos surpreender a cada página e é impossível abandonar o livro antes de vermos quem é o culpado e porquê! Fora que é maravilhoso ver Mary e Bradley começar a se interessar um pelo outro e a gente quer ver onde eles vão chegar. Afinal, Bradley também tem um passado perturbador e que não permite que ele veja muito futuro ao lado de Mary…  Como disse, um verdadeiro achado!!!

20 de agosto de 2010

The Missing de Shiloh Walker

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Um romance pecaminosamente sexy sobre uma mulher cujos dons psíquicos afastaram o homem amado… apenas para trazê-lo de volta anos depois em uma teia de mistério e paixão sombria…

Quando era adolescente, Taige Branch era capaz de fazer coisas com seu dom psiquico que ninguém entendia – exceto por Cullen Morgan, o garoto que roubou seu coração. Ele fazia o possível para aceitar as habilidades dela, até sua mãe ser brutalmente assassinada – e ele não pode perdoar Taige por não ter evitado essa morte.

Agora um pai viúvo, Cullen Morgan nunca se esqueceu de Taige. Mas o que a traz de volta a sua vida é um outro evento trágico. Sua amada filhinha foi sequestrada, e Taige é sua única esperança de encontrá-la.

Trabalhando juntos contra o relógio, Cullen e Taige não conseguem deixar de pensar se – caso encontrem a filha dele em tempo – não é tarde demais para o irresistível amor que ainda queima entre eles…

Shiloh Walker está rapidamente entrando para minha lista de escritoras favoritas! Esse é o segundo romance dela que leio esse mês e que novamente amei. Esse é de um estilo bem diferente, pois é um romance de suspense (o outro que li foi romance contemporâneo hot), o que mostra a capacidade da autora em variar os estilos sem perder a qualidade da escrita.

A primeira parte do livro traz Taige e Cullen se conhecendo e se apaixonando ao longo dos anos. Ela mora numa cidade litorânea, órfã, vive com o tio que a maltrata por causa do dom que possui:  ela vê e sente quando alguém está em perigo de morte – geralmente crianças – e consegue chegar a tempo de salvá-las ou levar a polícia até onde estão. Às vezes, ela revela onde está o corpo de crianças desaparecidas. Um dom muito forte e qua a desgasta muito. Ele é um rapaz rico, que vem de uma família unida e amorosa, e todo ano vem passar as férias de verão com seus pais nessa cidade. Eles se vêem de longe, se aproximam, se tornam amigos, namorados, amantes… É um amor tão lindo – Shiloh caprichou mesmo no romance – que chega a emocionar! O modo como um completa o outro, entende e aceita o outro é mesmo maravilhoso. Até…

Bom, o resumo diz que os dois se separam, então não é surpresa, mas é doloroso! Doze anos se passam antes de se reencontrarem, mas são anos em que nunca se esqueceram e continuaram a se amar. Claro que a dor e a mágoa estão presentes também – e muito forte, mas não tão forte quanto o amor.

Cullen agora um escritor de sucesso e pai de uma adorável menininha (apesar de não explicar como ou porquê ele se casou…) segue de longe a carreira de Taige. Ela se formou em psicologia e trabalha como consultora especial para o FBI, ajudando a encontrar crianças sequestradas ou desaparecidas. Quando Jillian, sua filha,  é sequestrada, Cullen sabe a quem procurar por ajuda – mesmo depois de tanto tempo, de tudo o que passaram e disseram, ele vai até Taige.

Taige o ajuda, mas quem sequestrou a garotinha é um assassino serial muito cruel – e o monstro não vai gostar nada da interferência deles em seus assuntos! O suspense é bom, mas Shiloh dá várias pistas que nos ajudam a descobrir o assassino facilmente. Contudo, as reviravoltas que ela nos proporciona, os sentimentos que transmite e a emoção que ela nos passa com essa história faz esse ser um detalhe menos importante. Fora as muitas surpresas que ela traz e que nos deixa simplesmente assombrados!

Teve um trecho que me marcou muito, uma das visões de Taige sobre o assassino – que matava de criancinhas até adolescentes. Acho que Shiloh consegue realmente nos mostrar o tipo de monstro que ele era (e o pior é que sabemos que existem monstros desse tipo de verdade em nosso mundo!):

…Beatings , harsh and pitiless. Days of starvation and dehydration. The ugly blackness of despair as the mind finally accepted what the body had already known. Death awaited, and the only question was when it would come and how painful it would be.

The young children were the worst though. They never stopped believing that somebody would come for them. That they would be saved. But they weren´t. They died screaming, broken and alone.”

(… Surras, cruéis e sem piedade. Dias de fome e desidratação. O feio negrume do desespero, quando a mente finalmente aceitava o que o corpo já sabia.  A morte aguardava, e a única pergunta era quando chegaria e quão dolorosa seria.

As crianças menores eram o pior, entretanto. Elas nunca deixaram de acreditar que alguém viria por elas. Que elas seriam salvas. Mas não foram. Elas morreram gritando, quebradas e sozinhas.)

Espero – e torço muito – para que alguma editora nacional descubra Shiloh Walker e comece a publicá-la aqui no Brasil! São romances que realmente valem muito a pena!

3 de abril de 2010

A menina que não sabia ler de John Harding

a menina que não sabia ler

Na tradição de Henry James e Edgar Allan Poe, uma história incrível sobre uma menina e o poder de sua imaginação.

A  jovem Florence e seu irmão mais novo Giles crescem nos corredores de uma decadente mansão na Nova Inglaterra, deixados à mercê de criados e regras ditadas por um negligente tio, que jamais viram. Até que Florence passa a se interessar por um lugar abandonado: uma biblioteca fechada e empoeirada, que lhe é proibida. Um mundo de livros maravilhosos, que a determinada jovem insiste em habitar, mas que precisa ser mantido em segredo, não importa o preço.

Após a morte violenta da preceptora de Giles, srta. Taylor, sua substituta, chega à mansão e estranhos acontecimentos parecem despertar em Florence um medo sobrenatural: afinal, quem é, de fato, a nova preceptora?

A menina que não sabia ler é uma obra contemporânea, escrita por John Harding e sob influência dos maiores mestres do mistério de todos os tempos: Edgar Allan Poe e Henry James. Neste verdadeiro vira-páginas o leitor acompanha a história narrada pela própria Florence e, uma vez em sua mente, como separar o que é real do que é invenção?

Ler esse livro é como ir montando um grande quebra-cabeças – Florence vai nos dando as peças, mas não nos deixa ver direito que figura está se formando… até o final, que é maravilhoso e intenso!

Duas crianças órfãs criadas por empregados numa mansão decadente, Florence e Giles são muito ligados e Florence cuida do irmãozinho muito bem. Até que, em um dia de exploração, eles descobrem uma biblioteca. Os livros fascinam Florence, mas a Sra. Grouse, governanta da casa, diz que o tio deles – e guardião legal, apesar de ausente – não quer que ela seja alfabetizada. Mas Florence é uma criança determinada e decide que vai aprender a ler sozinha. E consegue! Os livros passam a ser seus melhores amigos, depois de Giles, é claro.  Seus autores preferidos são Shakespeare (com quem ela aprende a inventar palavras e cria algumas maravilhosas) e Poe (de quem pega o clima gótico na hora de narrar e vai conduzindo a história num crescendo, até o final absolutamente assombroso!)

Para quebrar a solidão dos dois, eles fazem amizade com Theo, um rapaz que vem passar as férias na propriedade vizinha e se torna um verdadeiro companheiro para Florence quando Giles vai para a escola. Theo sofre de asma e o ambiente do campo é melhor para sua saúde, por isso ele está sempre por perto.

Giles não se dá bem na escola, então seu tio contrata uma preceptora para ensiná-lo em casa. Srta Whitaker e Florence se estranham e a jovem professora acaba morrendo afogada em um acidente bem confuso. Chega então sua substituta, srta. Taylor. Desde o princípio, Florence fica desconfiada dela, achando que ela quer sequestrar Giles. É quando começam a acontecer coisas estranhas…

Como é Florence a narrar a história, não sabemos o que é imaginação dela e o que é realidade – e isso é o fantástico do livro! Florence nos dá algumas pistas e daí vamos construindo o quadro, mas tem coisas que nós, leitores temos de inferir, pois as respostas não são tão claras.

Adorei o livro pois Florence é uma personagem marcante. Super inteligente, ela é  dissimulada, mas  ao mesmo tempo muito amiga e protetora de Giles. Ela é um poço de contradições e a gente fica sem saber se a ama ou a odeia ou a teme…

29 de dezembro de 2009

O Jardim de Ossos de Tess Gerritsen

Boston 1830.

Para pagar os estudos, Norris Marshall, um estudante de medicina talentoso, mas sem recursos financeiros, integra as fileiras dos “ressurreicionistas” – saqueadores de tumbas que negociam cadáveres no mercado negro. Contudo, até mesmo o mórbido comércio parece insignificante diante do corpo mutilado de uma enfermeira encontrado no terreno do hospital universitário. Quando um médico renomado sofre o mesmo destino, Norris descobre que seu ganha-pão ilícito o transformou no principal suspeito dos crimes.

Para provar sua inocência, o estudante precisa encontrar a única testemunha que viu o assassino: Rose Connolly, uma bela costureira dos cortiços de Boston. Ao lado do sarcástico e inteligente Oliver Wendell Holmes, Norris e Rose vasculham a cidade em busca de um maníaco que aguarda a próxima oportunidade para matar.

Massachusetts, Dias Atuais.

Julia Hamill fez uma descoberta terrível em sua nova casa no interior: um crânio enterrado no jardim. Humano, feminino e, de acordo com a patologista Maura Isle, com traços inconfundíveis de um homicídio. Quem quer que tenha sido ou o que quer que tenha acontecido com aquela mulher, é algo perdido no passado.

Com suspense incansável e uma perfeita reconstituição de época, O Jardim de Ossos intercala habilmente a história de protagonistas dos séculos XIX e XXI, desvendando os mistérios obscuros por meio do tempo e do espaço. Forte, sangrento e brilhante, confirma o talento primoroso de Tess Gerritsen.

Esse é o primeiro livro dessa autora que li – e adorei! Quero agradecer a Aline pelo presente de Amigo Secreto! Obrigada, é um livro simplesmente fantástico!

Recém-divorciada, Julia Hamill tenta recomeçar sua vida comprando uma casa antiga e muito necessitada de cuidados. Escavando o jardim abandonado, ela encontra um crânio. A polícia investiga e descobre um corpo que foi enterrado muito antes de a casa ter sido construida, em 1880.

Julia, então, recebe um telefonema de Henry Page, primo da antiga proprietária da casa (Hilda) e historiador da família. Henry ficou com todos os documentos que estavam na casa de Hilda e oferece ajuda a Julia para, juntos, descobrirem mais sobre o esqueleto enterrado no jardim. E assim, vamos descobrindo mais sobre Norris, Rose e Holmes e sobre o Estripador de West End.

Tess faz uma reconstituição histórica muito boa – a gente se sente em 1830, com sua sujeira, preconceitos (contra imigrantes irlandeses e papistas), pobreza e luta pela sobrevivência. Vemos também os elegantes salões onde cavalheiros e damas das classes altas se divertem e interagem. Norris é um personagem com um pé em cada ambiente: fazendeiro pobre, vê no estudo da medicina, além de vocação natural, um modo de ascender socialmente.

Rose Connolly é uma imigrante de 17 anos que vê sua irmã sofrer as dores do parto por cinco dias. Deitada numa cama de hospital, Aurnia sofria e guardava um segredo. Rose, apesar da pouca idade, é uma sobrevivente. Uma mulher forte, íntegra e amorosa. Além de muito bela.

Começam a acontecer crimes hediondos, com as vítimas brutalmente mutiladas. Norris, que encontrou os dois primeiros corpos, passa a ser o principal suspeito. Para evitar ser preso, ele precisa da ajuda de Rose, a única que viu o assassino. Temendo por sua vida, Rose passa a se esconder e, depois de alguns dissabores, junta-se a Norris e Holmes para tentar evitar novos assassinatos e eliminar a ameaça que paira sobre eles.

Com todos os crimes, violações de sepulturas, aulas de anatomia e sofrimento e pobreza, o amor que nasce entre Rose e Norris é um sopro de ar fresco! Um amor calmo, belo, puro… Mas o suspense e mistério que cercam esses personagens e os ligam a Julia e Henry e Tom, sobrinho-neto de Henry, é de um brilhantismo maravilhoso! Tess tece uma história perfeita e o último ponto completa o quadro de forma brilhante! Recomendo.

19 de dezembro de 2009

Noturno de Guilherme Del Toro e Chuck Hogan

Noturno

Nova York, aeroporto JFK. O Boeing 777 da Regis Airlines, vindo de Berlim, aterrisa na hora prevista. Subitamente, na pista de pouso, seu motor para. As janelas se fecham. As luzes se apagam. Os canais de comunicação se silenciam. A equipe de terra se perde numa espera aflitiva por algum sinal dos passageiros.

Considerando a possibilidade de um ataque biológico, o Centro de Controle de Doenças é acionado e o Dr. Eph Goodweather, responsável pelo projeto Canário, responde ao chamado. Ao subir a bordo, seu sangue gela com o que vê.

Harlem Espanhol, rua 118. Numa loja de penhores, um sobrevivente do Holocausto, Abraham Setrakian, cujos estudos de folclore da Europa Oriental levaram-no para os mais obscuros cantos do mundo, intui que algo grave está prestes a acontecer. Sabe que a hora chegou e que a guerra está apenas começando.

Uma pandemia vampírica se espalha por toda a cidade de Nova York e irrompe numa batalha sem proporções. Eph se une a Setrakian e a um grupo inusitado de combatentes para neutralizar a ação do vírus e salvar sua cidade – antes que seja tarde demais.

Guilherme del Toro, criador visionário de O Labirinto de Fauno, e Chuck Hogan, autor consagrado pelo prêmio Hammett, trazem sua imaginação para esse épico de coragem e audácia, sobre uma batalha entre homens e vampiros que ameaça toda a humanidade. Noturno é o primeiro livro da Trilogia da Escuridão, um fenômeno que promete conquistar o mundo.

Adorei esse livro! Uma história muito bem contada, com um roteiro muito bem definido e trabalhado. Conforme ia lendo, dava para ver as cenas, como num filme.

O começo, com a tensão para se saber o que havia acontecido no avião, é eletrizante. Depois, conforme se vai apresentando os personagens e vamos nos inteirando da história, o ambiente vai ficando cada vez mais sombrio, até chegar ao terror. Muito interessante o modo como os fatos vão se sucedendo e nos enredando.

É interessante, também, o modo como Eph e Nora vão tendo de aceitar a realidade – vampiros existem e estão em Nova York – ao mesmo tempo em que tal fato vai sendo explicado a nós leitores. O fato de que o vampirismo é uma contaminação por vírus torna tudo mais fantástico.

E o Mestre – que figura mais medonha! Uma história onde os vampiros são realmente maus e assustadores.

O único senão é que ainda não vi nada sobre o segundo volume da trilogia. E minha ansiedade e curiosidade estão a mil… Dei uma olhada no site que está indicado no final do livro para ver se tem a previsão de lançamento Na parte da entrevistas com os autores achei:

Noturno é o primeiro romance de uma trilogia. Você pode dar uma dica para nós do que vem a seguir?

  • GDT: O segundo romance é mais sombrio – a humanidade perde a sua vantagem e tem um vislumbre do que o futuro reserva para os vampiros enquanto busca as origens míticas de tudo que está acontecendo. Vamos visitar algumas memórias familiares e aprender mais sobre Setrakian, e Gus vai nos levar a uma inesperada aliança. Nova York se encontra sob lei marcial, e encontrar um meio de sair de lá é uma das maiores subtramas do livro. Já o terceiro romance é absolutamente enorme, tanto nas implicações quanto no alcance. Ele traz uma releitura totalmente inovadora do vampirismo.

Aguardo ansiosa!!! Mas se demorar muito, vou acabar relendo…

9 de agosto de 2009

Cega de Karin Slaughter

cega

A pacata Heartsdale, na Georgia, entra em pânico quando Sara Linton, pediatra e médica-legista da cidade, encontra Sibyl Adams, uma jovem professora universitária, morta em um restaurante local. Além de ter sido violentamente estuprada, Sybil fora esfaqueada: dois cortes profundos formavam uma cruz macabra na altura do estômago. No entanto, quando Sara realiza a autópsia, a brutalidade do assassino é revelada em toda a sua extensão.

O chefe de polícia, Jeffrey Tolliver, ex-marido de Sara, está a frente da investigação. Quando uma segunda vítima é brutalmente crucificada alguns dias depois, ele tem de encarar o fato de que o assassinato de Sibyl não fora um ataque pessoal, um caso isolado. Na verdade, um estuprador sádico aterrroriza o Condado de Grant.

Jeffrey não está sozinho em sua busca. Lena Adams, a única detetive da cidade, quer justiça a qualquer preço, uma vez que Sibyl é sua irmã. Sara também não consegue escapar do horror. Um segredo de seu passado pode ser a chave para descobrir o assassino – a menos que ele a encontre primeiro.

 

Gostei muito da história. Um suspense policial bem amarrado e um time de investigação muito bom.

A crueldade e esperteza do assassino estuprador é bem relatada – e quem se ressente de descrições pormenorizadas, pode não gostar muito. Eu, particularmente, adoro livros em que os legistas participam da investigação e vão revelando toda a monstruosidade dos psicopatas. Acho que de tanto assistir CSI fiquei mórbida…

Fora isso, há também as tensões entre os personagens e o relato do modo de vida de uma pequena e pacata cidade que se vê sacudida por crimes bárbaros e sem explicação. Eu consegui descobrir o assassino somente no final e por um pequeno detalhe, mas fiquei muito supresa!

Um ponto que não me agradou muito foi o relacionamento de Sara e Jeffrey. Os dois são excelentes profissionais e fazem seu serviço direitinho, mas quando chega a vida pessoal são dois paspalhos e metem os pés pelas mãos. Mas como é uma série (e infelizmente só dois livros foram lançados no Brasil até agora) dá para entender o porquê disso.

Série Condado de Grant:

Blindsighted (Cega) – 2001

Kisscut – Não publicado no Brasil – 2002

A Faint Cold Fear (Frio na Espinha) 2003

Indelible – Não publicado no Brasil – 2004

Faithless – Não publicado no Brasil – 2005

Beyond Reach – Não publicado no Brasil – 2007

Undone – Não publicado no Brasil – 2009

Espero que logo se publiquem os outros por aqui, pois é uma leitura muito interessante e um bom suspense policial.

4 de dezembro de 2008

CRIANÇA 44 de Tom Rob Smith


Quando o medo silencia uma nação, alguém precisa falar a verdade.

União Soviética. 1953. A mão de ferro de Stalin nunca esteve tão impiedosa, reforçada pela Segurança do Estado – polícia secreta cuja brutalidade não é segredo para ninguém. Em seu governo, o líder soviético faz o povo acreditar que o país está livre de crimes.
Mas quando o corpo de um menino é encontrado nos trilhos de uma ferrovia, Liev Demidov – herói de guerra e agente do Estado – se surpreende ao saber que a família da vítima está convencida de que a criança fora assassinada. Os superiores do oficial ordenam que ignore a suspeita, e ele é obrigado a obedecer. Mas o agente desconfia de que há algo muito estranho por trás do caso.
De uma hora para outra, Liev coloca em dúvida sua confiança nas ações e políticas do Partido. E agora, arriscando tudo, o agente se vê na obrigação de ir atrás do terrível assassino – mesmo sabendo que está prestes a se tornar um inimigo do Estado.


O livro retrata a vida na antiga URSS de uma forma muito realista. Mostra como era terrível se viver sob o regime comunista, principalmente na época de Stalin. Não se tinha direitos, somente deveres. O medo e a desesperança eram o dia a dia das pessoas. Tudo o que você tinha ou era poderia lhe ser tirado de uma hora para outra. Bastava uma denúncia, uma suspeita...

Liev acreditava fielmente nas políticas do Estado. Ele cumpria sua obrigação com eficiência e sem questionar as ordens. Era um idealista. Para ele, as pessoas que ele prendia ou perseguia eram mesmo traidoras do sistema. Eram pessoas que queriam ver o fracasso da Revolução. Assim, quando o filho de um de seus subordinados é encontrado morto próximo à ferrovia, ele segue as ordens de seu superior e convence à família que foi um terrível acidente. Ele não aceita quando dizem que a criança foi encontrada nua, com o torso destroçado e a boca cheia de terra. No relatório estava escrito que a criança foi encontrada vestida e todos os outros fatos estavam bem explicados. Não se admitia que existissem crimes na URSS. Se todos eram iguais para que haveria roubos ou assassinatos?

Mas, quando se descobrem mais dois corpos de crianças mortas exatamente da mesma maneira, Liev acredita estar diante de um assassino frio. E a política do Estado em não querer investigar por não aceitar a tese de que há um criminoso a solta, faz com que ele comece a questionar tudo em que sempre acreditou. Como permitir que um assassino continue a matar impunemente, enquanto inocentes – mendigos, loucos, bêbados – pagavam por esses crimes?

Gostei muito do livro. É um livro que nos faz imaginar como alguém pode sequer pensar que o Comunismo é uma boa opção de governo. A forma como o povo é tratado, maltratado melhor dizendo, pelo Estado que se diz ser sua voz, é de uma violência irreal. As perseguições políticas, os agentes infiltrados, as torturas, as prisões, enfim, você vive sem poder confiar em ninguém, sem poder expressar seus pensamentos e sentimentos. Apesar disso tudo, Liev acreditava estar fazendo a diferença. Ele realmente acreditava na Revolução e no Partido. Essa era a principal diferença entre ele e Raissa, sua esposa. Ela via a realidade e se adaptava a ela. Liev via a utopia e agia de acordo com ela.

Achei que o livro tem uma atmosfera claustrofóbica – principalmente por se passar no inverno já que o frio e a neve ajudam a conferir essa característica à trama. Havia traições e perigos em todos os lugares. O Estado estava presente para calar as vozes que iam contra suas pregações. Mas não ajudava a investigar e a prender um assassino de crianças.

Mas o principal é que todo o livro é uma surpresa sem fim. Jamais imaginei que fosse acontecer o que de fato acontece. O assassino e seus motivos – sim, porque ele tinha um motivo - me surpreenderam muitíssimo.

Alguns trechos que achei muito interessantes e mostram o clima do livro:

"... Em volta, os presos ouviam, inexpressivos, as acusações de AKA, KRRD, PSh, SVPsh, KRM, SOE OU SVE, siglas indecifráveis que decidiam o resto de suas vidas. As sentenças eram pronunciadas com indiferença profissional.

Cinco anos! Dez anos! Vinte e cinco anos!

Mas ela precisava desculpar a dureza daqueles guardas – estavam sobrecarregados de trabalho, tinham de lidar com tanta gente, atender tantos presos. À medida que as sentenças eram dadas, ela notava a mesma reação em quase todos os detidos: incredulidade. Será que aquilo era verdade? Parecia um pesadelo, como se tivessem sido arrancados do mundo real e jogados num outro, totalmente novo, onde ninguém sabia direito quais eram as leis. Que leis regiam aquele lugar? O que as pessoas comiam? Podiam tomar banho? Como se vestiam? Eram recém-nascidos sem ninguém para protegê-los, nem para ensinar as leis."



"As turmas tinham muitos alunos e teriam mais ainda não fosse a baixa que a guerra causara nos índices demográficos. Senão, ela conseguiria lembrar o nome de cada aluno para mostrar que se interessava por cada um, individualmente. Mas sua memória para nomes esbarrou numa inquietação peculiar: a impressão de que isso trazia uma ameaça implícita.

Se decoro seu nome, posso denunciar você.

Aquelas crianças já haviam percebido o valor do anonimato e Raissa notou que preferiam receber o mínimo de atenção pessoal. Em menos de dois meses, parou de chamá-los pelo nome e passou a apenas apontá-las."



"- Tenho certeza de que acabarei dizendo o que você quer, mas por enquanto digo o seguinte: eu, Anatoli Tarassovich Brósdski, sou veterinário. Daqui a pouco seus arquivos vão dizer que sou espião. Você vai ter minha assinatura e minha confissão. Vai me obrigar a dar nomes de pessoas. Haverá mais prisões, mais assinaturas e mais confissões. Mas, o que quer que eu acabe dizendo a você, será mentira porque sou um veterinário.

- Não é o primeiro culpado a afirmar que é inocente.

- Você acredita mesmo que sou espião?

- Só por essa conversa, posso acusar você de subversão. Já deixou bem claro que detesta este país.

- Não detesto. Você é que detesta. Detesta o povo deste país. Senão, por que prenderia tantas pessoas?

Liev ficou impaciente.

- Sabe o que vai acontecer se você não falar?

- Até as crianças sabem o que acontece aqui dentro.

- Mas continua se recusando a confessar?

- Não vou facilitar isso para você. Se quer que eu diga que sou espião, terá de me torturar.

- Esperava não precisar disso.

- Acha que pode continuar um homem de bem? Vá pegar suas facas. Pegue o seu jogo de ferramentas. Quando estiver com as mãos cheias do meu sangue, vamos ver se você é justo.

- Só preciso de uma lista de nomes.

- Nada resiste a um fato. Por isso você tem tanto ódio aos fatos. Eles irritam. Por isso posso lhe irritar ao dizer simplesmente que eu, Anatoli Tarassovich Bródski, sou veterinário. Minha inocência lhe irrita porque você quer que eu seja culpado. Quer isso porque me prendeu."

26 de outubro de 2008

INSATIABLE DESIRE de Rita Herron


PODE ELA OUSAR CONFIAR SEU CORAÇÃO...
Atormentada pelas visões gráficas e os gritos desesperados das vítimas de assassinato, a médium Clarissa King fará qualquer coisa para parar o brutal assassino que está atacando sua cidade natal – mesmo trabalhar ao lado do perigosamente sexy agente do FBI que pensa que ela é uma fraude. Ele é o único homem que faz com que ela sinta uma fome que nunca imaginou ser possível – e o único homem a quem deve temer...
QUANDO A ALMA DELE PERTENCE À ESCURIDÃO?

Vincent Valtrez sabe como entrar na mente de um assassino em série. Mas com um passado perigoso e um segredo a esconder, ele não quer ter nada com a bela médium – especialmente quando apenas em pensar no delicioso corpo dela ele é abatido por um desejo irrepreensível e escuro do qual está determinado a manter distância. Quando o matador que procuram se mostra demoníaco e de outro mundo, Vincent entende que sua conexão com o assassino é mais do que apenas de caçador e presa. A escuridão dentro de Vincent o reclamará...ou ele conseguirá salvar Clarissa – e a si mesmo – do mal que ameaça a ambos?

É o primeiro livro dessa autora que li. E devo confessar que gostei bastante. É o que ela mesma diz ser: um sobrenatural sombrio. Assassinatos horrendos, demônios verdadeiramente maus, luta do bem contra o mal. E muito suspense. Afinal, quem é o humano possuído pelo demônio e que comete os assassinatos? A autora consegue nos levar a um mundo sombrio, cheio de maldades e com personagens que sempre tem algo a esconder. Nunca sabemos em quem confiar.

Vincent cresceu vítima de um pai violento. O pai era um Dark Lord, assim com Vincent. Os Dark Lords são humanos, mas com ascendência demoníaca. Eles podem tanto pender para o mal, quanto para o bem. Vincent sente o mal dentro dele. A vontade de matar. Por isso se tornou agente do FBI especializado em perseguir assassinos em série. Porque ele entendia a maldade e o modo como esses indivíduos pensavam.

Até que um dia, o destino e o trabalho o fazem voltar para Eerie, no Tennessee, onde nasceu e cresceu ate ir embora após o desaparecimento dos pais. Duas mulheres foram mortas e o xerife pediu que ele fosse enviado para investigar. Os crimes não tinham nada em comum, mas Clarisse King, a médium da cidade, insistia que as duas tinham sido mortas pelo mesmo homem.

Clarissa cresceu e viveu em Eerie a vida toda. Vinda de uma família de médiuns é considera como a louca da cidade. A mãe se enforcou por não agüentar o dom que possuía. Clarisse conhecia Vincent desde a infância, e eram amigos visto os dois serem párias – ela pelo dom, ele pela violência do pai. Até o dia em que se ofereceu para falar com a mãe dele, para confirmar se ela estava mesmo morta.

Vincent viu o assassinato da mãe pelas mãos de seu pai quando tinha 10 anos. Depois ele o matou, mas o choque foi tão grande que ele bloqueou as memórias. Foi encontrado vagando nos limites da Floresta Escura, de onde ninguém jamais saiu com vida. Vincent foi então colocado em lares adotivos, até acabar num orfanato. Quando chegou a cidade para a investigação, as memórias voltam e ele se lembra de tudo: as surras, os atos cruéis que o pai fazia com que ele cometesse, o modo como a mãe o protegia, a morte da mãe e do pai.

O reencontro de Clarissa e Vincent é marcado pela desconfiança e recordações. Vincent, depois do que passou, tinha decidido nunca amar, e nunca se entregar ao sangue ruim que seu pai dizia que ele tinha. Ele tinha suas regras: transar com uma mulher apenas uma vez, para evitar intimidades. O sexo era uma válvula de escape, um modo de manter seus demônios controlados. Com Clarissa, ele se sente tentado a mudar essas regras, mas o medo de se tornar como seu pai o faz se afastar dela e a maltratá-la.

Os assassinatos estavam sendo cometidos por um demônio, Pan, que usava o maior medo que as pessoas sentiam para atacá-las. Ele queria agradar ao novo líder do mal que surgiria em poucos dias. Esse líder era o pai de Vincent que se reergueria dos mortos exatos 20 anos depois. Esse demônio queria entregar Vincent ao pai para conseguir uma recompensa. Para isso, ele envia os mortos para atormentarem Clarissa incessantemente, e conduzí-la a loucura, bem como continua a matar as mulheres de forma brutal.

Esse é o enredo da história, mas a forma como Rita Herron a desenvolveu foi maravilhoso. Você sente as dificuldades e as lutas das personagens. Sente o terror das vítimas e dos animais maltratados pelo demônio. Foi um dos livros mais sombrios que li, mostrando de forma crua a maldade e a bondade e a guerra que elas travam entre si. Estou louca pela continuação, pois, para variar, é uma trilogia.

5 de outubro de 2008

OBSESSÃO de Erica Spindler


A agência de adoção pode tornar um sonho em realidade. E a realidade, em um pesadelo sem fim.
Julianna Starr escolheu Kate e Richard para serem mais do que os pais de seu filho. Para ela, Richard é o homem ideal por quem ela sempre esperou. Ao observar de perto o casal, Julianna molda a sua imagem à de Kate e seduz Richard, decidida a acabar com um casamento perfeito de dez anos.
Mas Julianna não está só. De seu passado obscuro, surge um verdadeiro demônio...
Ninguém está a salvo. Nem mesmo a criança inocente que Kate e Richard adotara.



Li esse resumo e comecei o livro decida a odiar Julianna. Mas isso foi impossível.

Os personagens desse livro são “reais”. Ninguém é perfeito. Nenhum deles é a encarnação da bondade ou da maldade. São pessoas que sofrem, amam, mentem, se preocupam uns com os outros. Enfim, pessoas como nós, vivendo a vida da melhor forma possível e enfrentando e resolvendo os problemas.

Julianna é uma jovem meiga e mimada. Ela engravida de John Powers, um homem por quem se julga apaixonada e com quem quer construir sua vida. Mas, John é um assassino profissional que trabalha para a CIA. A última coisa que ele deseja é Julianna grávida e deixa isso bem claro. Então Julianna foge e se esconde. Sem dinheiro e sem família, ela decide entregar a criança para adoção.

É onde entra a Fundação Citywide. Uma fundação que permite que a mãe biológica escolha os pais para seus filhos. Isso é feito através de dossiês preenchidos pelos interessados, relatando suas vidas, suas perspectivas e anseios. Julianna se apaixona por Richard. Só de ler o modo como ele descreve seu amor pela esposa, ela vê que é isso que ela sempre sonhou em ter – um homem que a colocasse acima de tudo, que a protegesse e fosse seu companheiro.

Só que, com o decorrer da história, vemos que não é bem assim. Richard ama Kate, mas acima de tudo, ele ama ganhar, ele ama ser o primeiro em tudo, ele ama ser o centro das atenções. Com a chegada do bebê, e com Kate se dedicando primeiramente à criança, ele se sente excluído, traído, e essa é a brecha que Julianna aproveita para se fazer presente.

Somado a isso, temos John perseguindo Julianna. Ele a quer de volta, mas para conseguir, ele tem de aparar o que ele chama de “arestas”: o bebê, Richard e Kate.

Gostei muito do livro. É um livro com cenas fortes, violentas. Mas é um livro que revela como o casamento e o amor podem mudar com o tempo. Com personagens que hora a gente adora, hora odeia. Não se deve entrar nele com preconceitos, pois toda hora somos desafiados pela autora a rever nossos conceitos. E o suspense e a tensão estão muito bem construídos e balanceados.

11 de setembro de 2008

CORAÇÃO FERIDO de Chelsea Cain


O detetive Archie Sheridan passou dez anos perseguindo Gretchen Lowell, uma estonteante serial killer, mas foi ela quem o capturou. Dois anos atrás, Gretchen aprisionou-o e torturou-o por dez dias, mas, em vez de matá-lo, ela surpreendentemente o deixou partir, entregando-se à polícia. Agora ela está na cadeia pelo resto da vida enquanto Archie se vê em outro tipo de prisão - viciado em analgésicos, incapaz de voltar à sua antiga vida e sem forças para apagar aqueles dez dias horrendos de sua lembrança. Sua mulher, de quem se afastou, diz que o velho Archie não existe mais, e ele concorda. As visitas a Gretchen são semanais, com a justificativa de que só ele pode fazê-la confessar onde estão os corpos das vítimas. Mas Archie sabe qual o real motivo - ele simplesmente não consegue ficar longe dela.

Quando outro criminoso começa a seqüestrar meninas em Portland, Archie tem que se recompor para liderar uma nova força-tarefa que investigará os assassinatos. Uma repórter jovem e determinada, Susan Ward, acompanha o trabalho do grupo, o que desencadeia um jogo mortal entre Archie, Susan, o novo serial killer e até Gretchen. Eles têm um maníaco para capturar, e talvez isso liberte Archie de Gretchen de uma vez por todas.




Depois de ler a resenha da Paty, fiquei super curiosa em ler esse livro. É bem no estilo em que gosto de suspense policial. Não me arrependi: o livro é excelente!

A autora nos conduz como na montagem de um quebra-cabeça, onde cada personagem tem uma parte do mistério que vai construindo a história. A trama é tão bem tecida que por mais que você ache que entendeu, tem de começar novamente, pois as reviravoltas são maravilhosas. Você só descobre tudo no final, e um final muito interessante e surpreendente.

Tem uma frase que os personagens dizem e que acho que sintetiza o que a autora faz conosco, leitores: “...nunca o havia deixado ver nada que não queria que ele soubesse. Sempre tinha estado no controle. Sempre estivera um passo a frente.” Recomendo, mas ressalto que é um livro forte, que mostra um mundo mórbido e, infelizmente, real: o de psicopatas homicidas.